sexta-feira, 22 de maio de 2009

Partido MMS


Pois agora com os cartazes e Outdoors para as Europeias 2009 descobri, sim porque desconhecia por completo que MMS não era apenas uma mensagem de dados que poderia enviar pelo telefone, mas também um novo partido político. MMS - Movimento Mérito e Sociedade.

Pelos vistos é um partido que foi fundado muito recentemente, vá lá já não me senti avestruz, estive no site a ver se descobria o básico do partido, já que ver por aí cartazes fez-me sentir a mais ignorante entre os ignorantes, claro que a primeira questão que me ocorreu foi qual o enquadramento político dos tipos, ao que eles respondem:

"Onde se enquadra politicamente o MMS? À esquerda, à direita ou ao centro?

Para o MMS esta concepção ideológica já não se aplica numa sociedade contemporânea contudo teve o seu papel na História mas está ultrapassada.
O MMS NÃO SE REVÊ NESSA LATERALIDADE.
Essa fragmentação não é saudável ao desenvolvimento social e económico de Portugal. (...)
Há muito para fazer. Temos que olhar para a frente.
O único lado a que aceitamos pertencer é ao lado da frente.
O MMS É UM PARTIDO POLÍTICO DA FRENTE"

Alguém estava familiarizado com este partido, ou só mesmo eu é que ando a passear-me pelo mundo da ignorância?
P.s. Não gosto nada do Logotipo do partido

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Filmes vistos

Estes dois dias passados vi dois filmes, tenho de diversificar no meu excesso de tempo, certo?

Pois bem, os filmes seleccionados foram "Austrália" e "Anjos e demónios", por esta ordem, e reforço o facto de ter sido por esta ordem, porque preferia de longe que fosse ao contrário, já que sou das muitas pessoas que prefere deixar o melhor para o fim!!


Austrália, fica a apetecer apanhar um avião e voar directo para lá, terra inóspita mas estupidamente bela, começa logo por aí a beleza do filme. Sim sim, é um romance como muitos outros, mas facilmente nos apaixonamos pela história, pela paixão dos intervenientes por um objectivo comum, o início do filme tem até um cheirinho a comédia.
Trata sobre a "geração roubada" num período de pré- 2ª guerra mundial, onde as crianças mestiças eram institucionalizadas para as tornar mais europeias, a criança que representa o Nullah (Bryan Brown), um aborígena australiano que não é preto nem é branco, não é de lado nenhum, é simplesmente brilhante, facilmente nos apaixonamos por ele. Mágico!

Em resumo, porque não quero mais que deixar curiosidade, a Nicole Kidman está muito, muito bem para o papel, já que representa uma aristocrata no princípio do século, e quem melhor que a esticadinha para o fazer? O Hugh Jackman, brilhante no paper de Drover, sim, sim, ele guia gado por aqueles desertos sem fim à vista, macho, viril, forte, protector, mas deliciosamente ternurento e sensível, não imagino ninguém melhor para o fazer como ele, e o sotaque Australiano (para quem não sabe ele é mesmo australiano) dá-lhe o toque final. Perfeito!

Quem me conhece, sabe que não preciso muito para verter umas lágrimas nestas lides cinematográficas, este filme não foi excepção, mas só porque no fundo, bem no fundo, sou uma romântica, e esperava pelo final perfeito, que até acabou por ser, tinha de ser este e mais nenhum, mas eu esperava o melhor, como sempre!



Em relação ao "Anjos e Demónios", não me vou estender tanto, quem viu o Código da Vinci, deve, à semelhança dos livros, aguardar por resultados bem similares, tal como aconteceu com o escritor Dan Brown, no cinema espelhou-se o mesmo resultado, mais do mesmo e quase uma repetição do anterior, não deixa de ser bom entertenimento, não deixamos de ao longo do filme, pormo-nos a adivinhar quem será o vilão, mas nada mais que isso.


Ok, o filme tem uma boa fotografia, o Tom Hanks tem uma representação não brilhante, mas agradável de assistir, as igrejas e as praças do Vaticano dão também cenários excelentes e a crítica à manipulação que a Igreja faz à história ou à informação que deixa sair para o mundo, dá-me sempre um particular prazer, mas como disse antes. Mais do mesmo.


Amigo C. espero ansiosamente pela tua opinião do "Austrália" :)
I'm gonna sing you to me!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Depois do momento


O importante não é como, e muito menos quando, conhecemos as pessoas, o importante é o que se faz a partir desse momento.
A maior parte das vezes não me recordo de quando vi as pessoas que me são importantes pela primeira vez, agradeço é essa fracção de segundo ter acontecido, e agradeço mais ainda o facto de poder eternizar esse momento com a sua presença, de poder eternizar esse momento com conversas e segredos, de poder eternizar esse momento com aquela cumplicidade que te diz, que a alma daquela pessoa está irremediavelmente enroscada na tua. Adoro a eternidade que posso ter com as pessoas!
Da mesma forma que amo com o que se faz a partir do momento de partida, detesto o oposto. Detesto o que se deixa de fazer!

Pessoas instantâneas ou de circunstância, irritam-me. Uma pessoa instantânea é aquela que está com outra, que passa tempo com ela, que sai com ela, apenas por ser o que está mais à mão, é o que dá mais jeito, mais prático. É tudo lindo, saídas divertidíssimas, conversas superinteressantes, só sorrisos e alegrias, gargalhada então? Essa é a toda a hora... Tem é de se manter assim!
Tudo o que é de circunstância mexe-me um pouco com os nervos, até as conversas, e posso até entender e concordar que a própria vida pode afastar as pessoas, nada mais natural, tenho amigos com quem não estou há muito tempo porque a vida nos distrai, não, não é disso que falo pois até entendo que nos dias que correm dá sempre jeito ter ali um "amigo" para o copo no fim do trabalho ou até para o conselho de última hora, afinal se calhar recorrer aos verdadeiros amigos não é tão imediato e dá mais trabalho.


Mas pá, as mudanças drásticas fazem com que me sinta defraudada em relação ao investimento que fiz em relação a determinadas pessoas, hoje estão na minha vida e amanhã deixam de estar? Fez-se chocapic, foi? Eu sei, eu sei que é recorrente, que acontece a todos (mais a uns que a outros), assim como sei que este sentimento de perda só acontece porque criei expectativas, porque até se põe as pessoas numa consideração da qual não são merecedoras, mas hoje apeteceu-me muito dizer que as pessoas ainda me desiludem mais do que aquilo que esperava.


Vamos continuar a viver no mundo dos sorrisos depois disto? Não sei, mas acho que não.


P.S - Agora sim ando com uma neura brutal pela falta da medicação. E pelos vistos é o começo. Merd*!!!

domingo, 17 de maio de 2009

O amor é fodido


Já falei por aqui em Miguel Esteves Cardoso, esse gajo que andou uns tempos pela direita, mas apenas por más companhias, porque agora, como sempre toda a gente soube (menos ele), é assumidamente de esquerda, fazendo portanto com que goste ainda mais dele.


Volto a falar nesse Sr., porque ele, no panorama da escrita portuguesa, no meu limitado ponto de vista, é aquele gajo que escreve sobre a vida e sobre o amor como ninguém, consegue colocar em texto a vida como ela é, de uma forma sublime tal a sua clareza e verdade.


Volto a falar nesse Sr. porque concordo com ele, porque de facto a amor é fodido, com todos os seus encontros e desencontros, é fodido em toda a sua beleza, é fodido em toda a sua saborosa confusão. Como neste momento ando especialmente debruçada sobre este tipo de tolos pensamentos, nada como usar as melhores palavras que conheço. Espero que leiam e apreciem.


-Porquê? - Porque sim

- Porque sim não é resposta :)
(Eu sei)


“(...)nascemos todos com vontade de amar. ser amado é secundário… prejudica o amor que muitas vezes o antecede.
um amor não pode pertencer a duas pessoas, por muito que o queiramos.
cada um tem o amor que tem, fora dele…
é esse afastamento que nos magoa, que nos põe doidos, sempre à procura do eco que não vem.
os que vêm são bem-vindos, às vezes, mas não são os que queremos.
quando somos honestos, ou estamos apaixonados, é apenas um que se pretende.
tenho a certeza que não se pode ter o que se ama. ser amado não corresponde jamais ao amor que temos, porque não nos pertence.
por isso escrevemos romances - porque ninguém acredita neles, excepto quem os escreve.
viver é outra coisa. amar e ser amado distrai-nos irremediavelmente. o amor apouca-se e perde-se quando se dá aos dias e às pessoas. traduz-se e deixa ser o que é. só na solidão permanece…
o amor é fodido. hei-de acreditar sempre nisto. onde quer que haja amor, ele acabará, mais tarde ou mais cedo, por ser fodido (…)
e por que é que fodemos o amor? porque não resistimos. é do mal que nos faz. parece estar mesmo a pedir.
de resto, ninguém suporta viver num amor que não esteja pelo menos parcialmente fodido. tem de haver escombros. tem de haver progresso para pior e desejo de regresso a um tempo mais feliz.
e um amor só um bocado fodido pode ser a coisa mais bonita deste mundo(...)”


Miguel Esteves Cardoso, in O amor é fodido


Obrigada S. S. por me teres feito andar a reler isto ontem!!

sábado, 16 de maio de 2009

Pinhão - Alto Douro



Pois é, estive em retiro no Pinhão com duas grandes amigas. O objectivo era retemperar forças, este foi mais que superado!!!

Na chegada fomos conhecer as instalações onde íamos ficar alojadas, lá tinha imaginado como seria, já que foi a casa muito simpaticamente cedida por um amigo, casa essa que tinha sido a casa dos seus avós, contava portanto com uma coisa pequenina, aconchegante, com divisões minúsculas, já que era o habitual no início do séc.XX. Qual a nossa surpresa quando damos com um casarão enoooooorme, 4 quartos, duas salas, casas suplentes, sim, casas suplentes, porque na que ficamos era apenas a casa principal! Uma casa antiga e a precisar de obras, mas onde muito rapidamente nos sentimos habituadas e em casa.


Na noite da nossa chegada estivemos na conversa até às 7.30h da manhã, um pormenos importantíssimo sem televisão!!! O pormenor mais curioso foi termos encontrado nas prateleiras montes de livros antigos, alguns de contos tradicionais portugueses e foi nesses que nos focamos... À vez, e à volta do livro lemos contos, ou seja, ficamos ali a ler e a ouvir contos e aconversar muuuuito.

Depois de poucas horas de sono lá decidimos ir ver o meio e as paisagens onde estávamos inseridas, já que a casa, embora mesmo junto ao rio e com vista para as montanhas era mesmo no centro da Vila... Foi nessa altura que basicamente ficamos pasmadas!!! Rapidamente percebemos porque é que o Alto Douro é Património da Humanidade, classificado pela UNESCO.


Kilómetros e kilómetros de vinha, montanhas que nos fazem sentir minúsculas, aldeias pequeninas no meio do nada, cheias de pontos peculiares, recantos fantásticos, pessoas com camisolas na cabeça sentadas nos parapeitos das portas, cerejeiras espalhadas por toda a parte!!



Claro que ficamos a conhecer melhor a vila, melhor as pessoas da região e melhor ainda, os petiscos da região, desde os licores, os vinhos, as cerejas, e os enchidos hummm. Rapidamente me habituava a aquela vida!!




Podia aqui estar simplesmente todo o dia a escrever sobre as maravilhas do alto Douro, sobre a fauna e a flora que tivemos oportunidade de ver, sobre aquelas gentes que têm uma simpatia que chega a ser desconcertante de tão surpreendidas que ficamos, posso, a título de conclusão dizer que foram una dias FANTÁSTICOS!!!!


Aconselho e tenciono repetir :)

terça-feira, 12 de maio de 2009

Termos da Amizade


Pareceu-me ser um bom pensamento para hoje, depois de ler com atenção pareceu-me ter aqui ideias e expressões que eu não conseguiria expôr com tanta exactidão :)


**************


"Determinemos, agora, quais são os limites e, por assim dizer, os termos da amizade.


Encontro aqui três opiniões diferentes, das quais não aprovo nenhuma:


- A primeira deseja que sejamos para os nossos amigos, assim como somos para nós mesmos;


- a segunda, que a nossa afeição por eles seja tal e qual à que eles têm por nós;


- a terceira, que estimemos os nossos amigos, assim como eles se estimam a si mesmos.


Não posso concordar com nenhuma destas três máximas. Porque a primeira, que cada um tenha para com o seu amigo a mesma afeição e vontade que tem para si, é falsa. De facto, quantas coisas fazemos pelos nossos amigos, que jamais faríamos para nós! Rogar, suplicar a um homem que se despreza, tratar a outro com aspereza, persegui-lo com violência; coisas que em causa própria não seriam muito decentes, nos negócios dos amigos tornam-se muito honrosas. Quantas vezes um homem de bem abandona a defesa dos seus interesses e os sacrifica, em seu próprio detrimento, para servir os de seu amigo!


A segunda opinião é a que define a amizade por uma correspondência igual em amor e bons serviços. É fazer da amizade uma ideia bem limitada e mesquinha, sujeitá-la, assim, a um balanço entre a despesa e a receita. Parece-me que a verdadeira amizade é mais rica e mais generosa; não calcula com exactidão com medo de oferecer mais do que recebeu. Não se deve temer na amizade que se vá dar demais ou que se vá perder alguma coisa.


A terceira máxima é a mais perniciosa de todas: quer que se estime ao amigo tanto quanto ele se estima a si mesmo. Mas há bom número de pessoas, cuja alma tímida e desalentada não ousa aspirar a uma melhor sorte. Serão, então, os amigos obrigados a pensar como eles? Não deverão, ao contrário, esforçarem-se por encorajá-los, sugerindo esperanças e doces pensamentos? É necessário, portanto, prescrever outros limites para a amizade.


(...) Eis aqui os limites nos quais creio poder encerrar a amizade. Que os costumes dos amigos sejam sempre puros, que uma inteira comunhão de bens, de pensamentos, de vontade, exista entre eles. E mesmo se, por infelicidade, um deles necessita de auxílio do outro, em alguma empresa de justiça duvidosa, mas de onde dependa a sua vida ou a sua honra, pode-se, neste caso, desviar um pouco o caminho certo, contanto que daí não resulte a desonra. A amizade, com efeito, condescende até um certo ponto. "


Marcus Cícero, in 'Diálogo sobre a Amizade'

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Oscilações


Pois é, ontem deixei de tomar a tal medicação que dizem ser responsável pelos níveis de energia. Para quem não sabe, a tiróide produz hormonas T3 e T4, aquelas que fazem com que uma pessoa esteja com o astral em alta, na ausência delas, em baixa. A partir de hoje vou passar a ter as ditas oscilações de humor, e daqui até finalizar o tratamento vai ser sempre a piorar, pelo menos é o que dizem.


Não me apetece ceder às hormonas para ser sincera, não me apetece muito acreditar que a nossa energia é só hormonas, prefiro acreditar que nós ainda devemos conscientemente ter algum voto na matéria e por isso, conscientemente vou tentar andar em alta, ou pelo menos, contrariar a possibilidade de andar em baixa.


Não que a minha vida tenha andado muito estável, antes pelo contrário, ela própria tem tido oscilações, e por norma, o nosso estado de espírito é um espelho daquilo que nos acontece, mas essas oscilações acontecem porque eu permiti que assim fosse, deixo que factores exteriores interfiram demais com o meu estado de espírito, tenho por isso que encontrar o meu equilíbrio novamente, encontrar-me a mim, como indivíduo, como Mulher. Eu só eu e nada nem ninguém mais que eu.


Entretanto, lá vou continuar a brincar ao faz de conta e a sorrir muito :)


sábado, 9 de maio de 2009

Segurança Social


Pois é, ontem fui chamada às instalações da Segurança Social de forma a confirmar se o período de baixa não é uma fraude, é a chamada junta médica. Lá me fiz acompanhar de toda a papelada associada ao meu processo, cartas do médico A para o B, análises, exames, enfim toda aquela parafernália que pelos vistos prova a minha doença.


Ás 15.00h lá estava eu na Av. Marechal Gomes da Costa para a marcação às (e vejam a precisão) 15.32h! Cheguei às ditas instalações e honestamente... Fiquei de boca aberta com a quantidade de pessoas que supostamente estão de baixa!!! As instalações são feias, escuras; as pessoas, mais que muitas, o cheiro característico às multidões... Enfim, nada que queira repetir.


Entrada no consultório e a coisa deve ter durado, se tanto, um par de minutos, duas médicas (com cara de que já estão mesmo cansadas de ali estar) que olharam para mim e apenas perguntam:


M1 - Foi operada? (lá olharam logo para a cicatriz)

Eu - Sim, carcinoma papilar - Digo eu enquanto lhes dou a documentação para a mão.

M1 - Ficou uma cicatriz muito bonita, onde trabalha? - pergunta uma enquanto a M2 começa a vasculhar os papéis.

Eu - Nestlé Nespresso

M1 - Ai trabalha na Nespresso? - diz ela e finalmente esboça um sorriso - tenho uma reclamação a fazer!

Eu - Ehehe faça as encomendas a partir do clube, não precisa de ir para filas de espera - Digo eu, quase interrompendo-a.

M2 -Quanto tempo mais vai estar de baixa?

Eu - Não sei, sendo que esta semana deixo a medicação, dia 25 faço o cintilograma e a radio logo de seguida , mas não sou eu que devo saber isso, certo?

M1 - Pois, mais 32 dias pelo menos...

M2 - Adeus boa tarde e boa sorte!

M1 - Boa tarde!

Eu - Boa tarde e obrigada - digo eu enquanto lhes estendo a mão, e elas retribuem com ar de admiradas, lá não deve ser habitual aparecer gente bem educada!!


E foi isto apenas, depois de mais de 1h de espera!!!


Mas após esta experiência fiquei com a impressão clara de que, se tanta gente está doente (ou a fazer por isso), outra tanta desempregada, mais uns quantos com o rendimento de inserção social, mais os idosos, mais as crianças!!! Sobram poucos e coitados dos que sobram. É de facto cada vez mais reduzido o número de pessoas que estão responsáveis por manter viável o nosso sistema de segurança social. Até quando...


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Ahhhh e também percebo porque é que o Norteshopping está tão cheio independentemente dia e hora, há mesmo muita gente a não trabalhar!!! Força aí colegas!!!


quarta-feira, 6 de maio de 2009

Tolos



Há por vezes tolos com graça, mas nunca com juízo...
Fonte: "Máximas"

Autor: La Rochefoucauld , François


Hoje estou efectivamente tola, quando estou feliz não penso sobre isso, acho-o natural , acho-me merecedora, digo eu, porque raras são as vezes que me debruço sobre a minha felicidade. contento-me apenas por sê-lo.


Já quando falamos da tristeza, e digam lá se não é uma estupidez, sou pouco capaz de pensar em mais nada que não seja no que me entristece, mesmo que, como hoje, não haja motivo aparente por estar enterrada numa tristeza profunda, claro que, quando falo de motivo aparente é alguma coisa diferente de ontem, ou do mês passado, os dados são os mesmos.


Não, não me esqueci de tomar os comprimidos (agora posso mesmo dizer isto hehehehe) é só desânimo.. Enfim, sou tola! Espero que amanhã me passe a tolice e de nessa altura pensar mais e reflectir mais em todas as coisas boas que me fazem ser feliz e que hoje me parecem tão pequeninas.

domingo, 3 de maio de 2009

Mãe...


Não poderia deixar de prestar aqui uma homenagem à minha. Sim eu sei, a maioria diz que a deles é que é, mas eu não só o digo, como encho a boca a dizê-lo, a minha mão é MESMO a melhor mãe do mundo!!!


É amiga, é cumplice, faz cafunés como ninguém, estraga-me com mimo amando-me, às vezes até digo que em exagero, fez tudo ao longo da vida para estar presente enquanto as filhas cresciam e o melhor de tudo? Adora ser, não só minha mãe, como tem um prazer imenso em ser mãe de todos os que assim quiserem e precisarem, de tanto que lhe agrada a função!!


A minha mãe é o meu pilar, é o lugar onde sossego, onde sereno, onde choro à vontade, onde sei que posso ser eu, mas ser eu a valer, porque sei o quanto ela me ama, apesar dos meus disparates.


A minha mãe é onde recorro quando preciso mesmo à séria de um afago na cabeça, é onde recorro quando preciso à séria de um conselho, é onde recorro quando preciso à séria que me chamem à razão e me ralhem a valer!


Um bónus? Cozinha como ninguém :)


Garanto!!! A minha mãe é MESMO a melhor mãe do mundo e não sei se há mães em Marte, mas se houver, mesmo lá a minha mãe continua a ser a melhor!!! :)


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Não me posso esquecer claro, de deixar uma homenagem muito grande a todas as corajosas que não tiveram medo de abraçar esta jornada vitalícia que é a maternidade. Um beijo cheio de respeito para todas :*

sábado, 2 de maio de 2009

Elogio ao amor (Miguel Esteves Cardoso, in Expresso)"


Este texto já tem alguns anos, mas hoje apeteceu-me recordar e reler... Só porque é lindo:

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Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática.Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem.

A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.


Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra.O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.

Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.

O amor é uma coisa, a vida é outra.A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal.


Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Faz-me falta


Tenho tentado manter-me ocupada, ocupada com coisas, ocupada com pessoas e tenho tindo, claro, o suposto tempo de repouso, mas o que me está mesmo a fazer falta é o trabalho.


Faz-me falta o trabalho, faz-me falta a agitação, faz-me falta os horários, faz-me falta os colegas, faz-me falta!!!


Isto de ter de "descansar" tem a sua piada algum tempo, umas férias fora do tempo, umas férias surpresa (vendo a coisa pelo melhor prisma), mas em boa verdade, depois de quase dois meses passados torna-se quase insustentável o excesso de tempo livre. Sou uma pessoa activa por natureza e o trabalho, descubro agora e mais que nunca, acaba por fazer parte do meu sustento, daquilo que faz com que me sinta útil, realizada!!


É mesmo isso, pareço uma inútil que não sabe muito bem se há-de gerir o tempo entre cafés e esplanadas, entre este ou aquele livro, entre este ou aquele canal, onde a grande indecisão do momento é se durmo 10h ou 12h e virada para cima ou para o lado. Enfim...


Faz-me falta o trabalho!!